Procedimentos estéticos desafiam reconhecimento facial e impulsionam evolução da biometria

Procedimentos estéticos desafiam reconhecimento facial e impulsionam evolução da biometria

3

minutos de leitura

Procedimentos estéticos e reconhecimento facial em sistema de biometria facial

Procedimentos estéticos e reconhecimento facial estão cada vez mais relacionados a um dos principais desafios da biometria. O rosto que aparece hoje diante de uma câmera pode não ser o mesmo registrado meses ou anos atrás. Cirurgias plásticas, preenchimentos, harmonização facial, emagrecimento acelerado, envelhecimento e outras transformações físicas estão criando um novo desafio para as tecnologias de reconhecimento facial: como identificar uma pessoa quando sua principal característica biométrica mudou?

A questão ganha relevância à medida que procedimentos estéticos se tornam mais acessíveis e as transformações na aparência acontecem em intervalos cada vez menores. Para Adriano Carpinetti, head de inovação da Montreal, empresa com quatro décadas de atuação em identificação civil e criminal, a resposta passa por uma mudança de paradigma: deixar de tratar o rosto como uma característica fixa e trabalhar com diferentes elementos capazes de identificar um indivíduo.

“Os procedimentos estéticos e o emagrecimento muito rápido acabam modificando a estrutura da face. Por isso, os motores precisam estar preparados para reconhecer uma pessoa mesmo quando características que antes eram utilizadas sofreram alterações”, explica Carpinetti.

 

Procedimentos estéticos e reconhecimento facial exigem múltiplas biometrias

 

Embora o reconhecimento facial seja hoje uma das tecnologias biométricas mais conhecidas, ele não é a única alternativa disponível. Voz, íris, impressão digital, escrita, maneira de caminhar e até padrões comportamentais podem funcionar como elementos de identificação. Na avaliação de Carpinetti, a combinação dessas características é especialmente importante em situações nas quais a aparência sofre mudanças significativas. A utilização de múltiplas biometrias cria camadas adicionais de segurança e reduz a dependência de um único atributo.

“Não podemos pensar na biometria apenas como reconhecimento facial. Existem diversas características que podem ser utilizadas para identificar uma pessoa. A combinação delas permite que o sistema seja mais resiliente às transformações que acontecem ao longo da vida”, afirma.

A estratégia também é relevante para aplicações de segurança pública e identificação civil, nas quais uma identificação incorreta pode ter consequências muito mais graves do que uma falha em um simples processo de autenticação.

 

Biometria facial precisa acompanhar as mudanças ao longo da vida

 

A necessidade de desenvolver sistemas capazes de lidar com transformações físicas não é nova. Pessoas envelhecem, mudam de peso e passam por procedimentos médicos e estéticos. O que mudou é a velocidade e a intensidade com que essas transformações podem ocorrer. A tecnologia precisa, portanto, considerar que a identidade biométrica de uma pessoa não é necessariamente estática.

Essa capacidade pode ser especialmente importante em processos de identificação de pessoas desaparecidas. Registros biométricos coletados em diferentes momentos da vida permitem estabelecer correspondências mesmo quando existe uma grande diferença entre a aparência registrada no passado e a atual.

Por exemplo, os sistemas podem comparar um registro feito na infância com dados coletados na vida adulta. Nesses casos, o sistema não funciona como uma confirmação isolada, mas como uma ferramenta capaz de apontar uma possível correspondência para posterior investigação.

“É preciso fazer com que a tecnologia acompanhe a pessoa ao longo da vida. Não podemos esperar que uma mudança aconteça para só depois adaptar o sistema”, destaca o executivo.

 

Mudanças na aparência desafiam os sistemas de reconhecimento facial

 

A relação entre procedimentos estéticos e reconhecimento facial exige que os motores biométricos considerem diferentes formas de transformação da aparência, incluindo mudanças decorrentes de transições de gênero, envelhecimento e alterações de peso.

Nesse contexto, sistemas que combinam diferentes características biométricas podem oferecer maior capacidade de identificação do que soluções baseadas exclusivamente na comparação de rostos. A evolução da biometria também depende da qualidade dos dados utilizados pelos sistemas. Uma imagem capturada em condições inadequadas, por exemplo, pode comprometer o resultado de uma comparação, independentemente da sofisticação do algoritmo.

Por isso, um dos desafios está em aprimorar não apenas os motores de reconhecimento, mas também os processos de coleta e tratamento das informações. Para Carpinetti, uma possibilidade é separar a fotografia utilizada para representar visualmente uma pessoa daquela coletada especificamente para fins biométricos. “Enquanto a primeira pode seguir critérios relacionados à apresentação do documento, a segunda pode ser obtida em condições controladas e otimizada para a identificação. A mudança também reforça uma tendência: a identidade digital não precisa estar associada exclusivamente à fotografia que aparece em um documento”, explica.

 

Vieses ainda desafiam o reconhecimento facial

 

Quanto mais a biometria é utilizada em processos de identificação, maior é a necessidade de garantir que os sistemas apresentem desempenho consistente entre diferentes grupos da população. A qualidade da captura, as características das bases de treinamento e a diversidade dos dados utilizados podem influenciar o desempenho dos algoritmos e contribuir para as diferenças nas taxas de acerto.

A Montreal trabalha com amostras autorizadas e avaliações específicas para identificar e reduzir vieses nos motores biométricos, além de considerar a qualidade da coleta como parte fundamental do processo. “Não adianta ter um algoritmo sofisticado se a informação que chega para ele não tem qualidade suficiente. A captura e os dados são parte fundamental da precisão”, finaliza Carpinetti.

 

*Texto com alterações

Matéria na íntegra: Gazeta da Semana

+6.000 clientes
já confiaram na Montreal.

Tem um desafio tecnológico?
Nós temos a solução.

Visão geral da privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência possível ao usuário. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.